O trabalho do Lar de Maria com crianças e adolescentes iniciou em 11/03/1963, com a entrega de sopa para indigentes. E dois anos depois, em um regime de semi-internato para atender 125 vagas para crianças entre 0 e 14 anos cujas famílias não conseguiam atender aos mínimos sociais, a entidade inicia um trabalho de semi-internato.

Nesta perspectiva, o grupo de colaboradores começou a perceber que surgiam outras necessidades consideradas básicas para o atendimento destas pessoas. Percebeu-se que entre os assistidos existiam doentes, mulheres grávidas e algumas crianças e, de uma maneira concomitante, diversificaram o trabalho em vários caminhos. Assim, iniciou o trabalho médico-farmacêutico com gestantes e grupos de mães, triagens para entrega de alimentos e o atendimento às crianças das mães, cujas dificuldades poderiam ser minimizadas com o trabalho, desde que pudessem abrigar seus filhos na sua ausência. No decorrer destas ações surgiram novas situações e, uma delas, bastante marcante: crianças cujas mães tinham dificuldade de assumir seus filhos, nascendo então o serviço de internato, prática comum na época, junto ao Juizado de Menores, com o Serviço de Colocação Familiar. As crianças permaneciam internas nos moldes do antigo orfanato.

Depois de alguns anos, observada a ineficiência do internato, porque se encontravam ali crianças de diferentes níveis intelectuais, diferentes problemas psicológicos e a entidade tornando-se uma instituição restrita ao atendimento do abandono, fugindo da expectativa de oferecer aos pais condições para assumirem as responsabilidades do lar. Esta prática, muitas vezes, os levava ao comodismo. Em 1975 a entidade inicia um processo de reintegração familiar ou de lares substitutos, dando a IBLM, novamente, um cunho de semi-internato, com a preocupação de construir um atendimento bio-psicopedagógico e oferecer condições para que então os pais buscassem se manter financeiramente e então assumir a família com consciência.

Atualmente o Lar de Maria atende seus usuários em período integral nos Programas de Creche, Pré- Escola e Centro de Convivência, para crianças e adolescentes, na faixa etária de 0 a 14 anos, cujas famílias residem na periferia do município de Santo André, cujas famílias tenham renda per capta de até dois salários mínimos.
O Lar de Maria, ao deparar-se com a distância entre a criança, a educação, a família e a comunidade, passou-se a buscar outros meios, outras experiências, um maior conhecimento teórico, com o objetivo de formar seres bio-psico-socialmente capacitados para a vida, desenvolvendo sua autonomia em busca da cidadania.
A Instituição abriu em 2007 mais um programa que capacita os seus adolescentes egressos, entre 15 a 17 anos de idade, em Cursos Profissionalizantes e de Formação Continuada, garantindo a eles o direito de aprendizes para o primeiro emprego.

Área de atuação da Instituição – casa I e casa II . (Bairros: Vila Scarpelli, Bom Pastor, Valparaíso, Jd. Bela Vista e Vila Floresta

Localização e Histórico do Bairro:
A sede da entidade se encontra-se à Rua Carneiro Leão, 273, na Vila Scarpelli em Santo André desde 1966, quando concluiu o primeiro andar de seu prédio próprio, em terreno cedido pela Prefeitura Municipal.

Em 1966, a Vila Scarpelli, o Jardim Bom Pastor e a Vila Floresta, bairros circunvizinhos com bastante proximidade com a entidade, era considerado periférico, com constantes situações de calamidade, devido a enchentes e alagamentos, advindo do Ribeirão dos Meninos, situação que só foi minimizada por volta de 1994, quando da construção do Piscinão do Valparaíso. Embora não houvesse núcleos habitacionais em favelas naquela época existia no bairro grande quantidade de cortiços e alojamentos.

Nesta época, a entidade estava voltada ao atendimento em internato, prática comum onde junto ao “Juizado de Menores” atendíamos crianças cujas mães, por várias razões, inclusive financeiras não podiam ficar com seus filhos, portanto era indiferente ao local de moradia da criança estar em proximidade com a entidade, já que as visitas eram, no mínimo, semanais.
O bairro cresceu, ganhou status de classe média, tem característica residencial e enquanto ocorria esta mudança, a entidade também mudou seu Projeto para semi-internato, ampliou suas dependências em quatro andares e embora atenda a todo o município, já que seu foco é a família, ainda tem como concentração de demanda o Jd. Bom Pastor, a Vila Valparaíso e as favelas próximas (Padroeira, Lauro Gomes, Gamboa e Jd. Cristiane) além dos cortiços espalhados pela redondeza e os bairros Jd. Estela, Jd. Jamaica, Jd. Oriental, Las Vegas, Vl Guiomar, Vl Alice, Príncipe de Gales, Bela Vista, Vl. Aquilino e Bairro Campestre.

Ainda assim, como não temos critério geográfico porque estamos entre os poucos que atendem a uma larga faixa etária (0 a 14 anos), a entidade tem famílias advindas de toda a periferia do nosso município e para atendermos as demandas de cada bairro atendido, o setor de Serviço Social realiza projetos com as comunidades em loco e desta forma caracteriza nossas famílias em suas reais necessidades sociais, culturais, etc, bem como traça propostas que reafirmam o compromisso das mesmas com a instituição fazendo uma ponte entre ela e a criança no processo sócio-educativo.

A Instituição possui ainda, uma segunda unidade a qual chamamos de Lar de Maria casa II, desde o ano de 1997, situada na Av. São Bernardo, nº 117, no bairro Jd. Santa Cristina em Santo André, oferecendo a comunidade do entorno, atendimento em programa de Centro de Convivência a 135 Adolescentes entre 7 a 14 anos de idade.